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Doutora em Design Estratégico pelo Institute of Design, Illinois Institute of Technology, e Pós-doutora em Ciência da Computação pela PUC-Rio, é especializada em design thinking, inovação em serviços e lean startups, dentre outros tópicos. Interessada em inovação social, é Diretora do INEI, Instituto Nacional de Empreendedorismo e Inovação (http://www.inei.org.br), uma OSCIP comprometida com o desenvolvimento do empreendedorismo inovador no Brasil. Nele, é co-fundadora da Aceleradora 2.5 (http://www.aceleradora25.com.br), voltada para a consolidação do Setor 2.5 no país e para a criação de novos empreendimentos que combinem valor social e lucratividade de forma sustentável. É também co-fundadora da Ghante | Pesquisa, Experiência & Inovação, parceira de diversas instituições, e professora da pós-graduação de instituições como a FGV e ESPM, dentre outras.
Inteligência Empreendedora
Inteligência Empreendedora - 26/05/2014
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Inteligência Emocional, conforme o popular livro de Daniel Goleman, é sinônimo da habilidade de reconhecer e gerenciar as próprias emoções e dos demais. Analogamente, o termo "Inteligência Empreendedora", proposto por Allan Bonsall, em seu livro "Entrepreneurial Intelligence", equivale à capacidade de identificar oportunidades para a criação de negócios inovadores e bem sucedidos, e de transformar ideias em realidade. É aquela habilidade de reconhecer necessidades humanas não atendidas e de visualizar o que é possível criar para não só atendê-las, mas superar todas as expectativas - tal como designar carros ao invés de cavalos mais velozes. Também é a destreza para executar tal visão, articulando as partes envolvidas no sistema. Para Bonsall, a ausência de "Inteligência Empreendedora" é a explicação para os expressivos dados estatísticos sobre o fracasso de empreendimentos ao redor do mundo.



Nos Estados Unidos, por exemplo, segundo dados de 2012 do Bureau of Labor Statistics do país, somente um terço dos negócios de pequeno porte duram mais de dez anos e 30% deles fecham as portas nos primeiros dois anos. Na Austrália, segundo os dados do relatório do Global Entrepreneurship Monitor (GEM) do mesmo ano, 30% de todos os novos negócios falham antes da conclusão do primeiro ano. Na mesma linha, no Canadá, oito de cada dez negócios fracassam nos primeiros três anos; na África do Sul, 75% sucumbem no mesmo período; no Chile, menos de 42% sobrevivem cinco anos; e no Reino Unido, uma em cada três startups aborta nos primeiros três anos. Shikhar Ghosh, palestrante sênior da Harvard Business School, afirma que somente 25% das empresas nascentes apoiadas por capital de risco nos Estados Unidos conseguem ter qualquer tipo de lucro - os outros três quartos perdem parte ou todo o dinheiro investido.

"Para Bonsall, a ausência de "Inteligência Empreendedora" é a explicação para os expressivos dados estatísticos sobre o fracasso de empreendimentos ao redor do mundo"


No Brasil, segundo o último GEM, o número de indivíduos desempenhando atividades empreendedoras ocupa a terceira posição entre os países com a maior população, atrás apenas da Índia e Estados Unidos. Em geral, contudo, tais empreendimentos são desenvolvidos com baixos índices de inovação, ou seja, comercializam produtos ou serviços iguais àqueles já existentes no mercado, com reduzido retorno financeiro. Do mesmo modo, os novos negócios brasileiros apresentam um limitado potencial tecnológico, com baixo uso de tecnologias disponíveis há menos de um ano no mercado e com baixas taxas de lançamento de novos produtos e serviços. Assim como nos países mencionados, a taxa de mortalidade de empresas de pequeno porte é extremamente alta no País: 49% dos negócios falham no primeiro ano.

Ainda que tais características - quer relativas à Inteligência Emocional ou à Inteligência Empreendedora - possam ser inatas em alguns, elas certamente podem ser aprendidas e aprimoradas. Entendendo que o empreendedorismo inovador é o principal fator promotor do desenvolvimento econômico de um país e com o objetivo de desenvolver a inteligência empreendedora, principalmente a do tipo inovadora, foram criados os programas de formação empreendedora e de aceleração e incubação de negócios, em um número crescente de países - como aqueles oferecidos pelas aceleradoras estadunidenses YCombinator e TechStars, pela incubadora e escolas de empreendedorismo inglesas Edtech Incubator/Learning Lab e Emerge Education, e pela aceleradora, campus virtual e grupo de pesquisa israelense MindCET. Muitas vezes, contudo, alguns desses programas de formação detêm-se na descrição das características necessárias aos empreendedores inovadores, ao invés de oferecerem uma abordagem pedagógica para o desenvolvimento das mesmas nos aspirantes. Muitas dessas aceleradoras estão em busca dos indivíduos que já têm um talento natural para os negócios e identificaram uma oportunidade de negócio valiosa. E muitas incubadoras já exigem que as empresas estejam em estado avançado de desenvolvimento, com base de clientes estabelecida e indicadores financeiros relevantes. Desse modo, permanece uma lacuna no início do ciclo do empreendedorismo, tanto na formação de talentos, como no mapeamento dos espaços de oportunidade para a criação de negócios inovadores.

"Shikhar Ghosh, palestrante sênior da Harvard Business School, afirma que somente 25% das empresas nascentes conseguem ter lucro"


Atualmente, com foco no desenvolvimento de um novo tipo de inteligência para o empreendedorismo, nomeada "Inteligência Empreendedora Social", foram criados programas específicos de formação empreendedora, pré-aceleração e aceleração de negócios. Muitos deles, entretanto, acreditam ser possível despertar e desenvolver tais qualidades nos indivíduos que se dispuserem a vivenciar jornadas transformadoras. Alguns exemplos, dentre um número crescente de outros, são: a Artemísia e a Aceleradora 2.5, no Brasil; a HUB Ventures, a Acara Institute, o Unreasonable Institute e a Kauffman Foundation, nos Estados Unidos; a UnLtd e a Social Impact Accelerator, na Inglaterra; e a Synergy Social Ventures, atuando no Camboja, China, Hong Kong, Indonésia, Laos, Nepal, Filipinas, Tailândia e Vietnã.

Com o objetivo de criar um ecossistema para o empreendedorismo social inovador, a UnLtd é o maior exemplo no Reino Unido, investindo diretamente na formação de indivíduos e oferecendo pacotes completos de recursos - de prêmios em dinheiro para o financiamento de projetos, à mentoria continuada, às conexões estratégicas de negócio, e ao apoio prático, como infraestrutura física e virtual. Já a Kauffman Foundation tem foco em educação e empreendedorismo além das fronteiras estadunidenses, dentro da visão de impulsionar uma sociedade de indivíduos economicamente independentes e cidadãos engajados em suas comunidades. Um exemplo de programa "transformacional" de destaque, com foco em empreendedorismo social inovador no Brasil, é aquele oferecido pela Aceleradora 2.5, criada pelo Instituto Nacional de Empreendedorismo e Inovação (INEI), com sede no Rio de Janeiro. Combinando formação empreendedora a uma base de pesquisa de Inteligência de Mercado capaz de apoiar empreendedores na identificação de espaços não explorados para a criação de negócios sociais relevantes e bem sucedidos, o programa da "Dois Ponto Cinco" tem foco na composição de times de empreendedores com interesses afins e competências complementares, e no desenvolvimento do negócio através de abordagem que combina Design Thinking e metodologia Lean para startups. Ainda este ano, o INEI está lançando uma plataforma virtual voltada para a formação empreendedora social inovadora e mentoria à distância, com ênfase em imersão contextual, cocriação e prototipação iterativa e incremental. A boa notícia para todos é que os negócios sociais tornaram-se uma tendência no mundo.

"Um exemplo de programa "transformacional" de destaque, com foco em empreendedorismo social inovador no Brasil, é aquele oferecido pela Aceleradora 2.5, criada pelo Instituto Nacional de Empreendedorismo e Inovação (INEI), com sede no Rio de Janeiro"

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