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É profissional de internet desde 1996 e passou pelas maiores agências e empresas do país: Wunderman, AlmapBBDO, AgênciaClick, Banco Real ABN AMRO, Microsoft Brasil. É criador da \"Usina.com\", portal focado no mundo online, e do \"Radinho de pilha\" (www.radinhodepilha.com), comunidade de profissionais da área. E-mail: renedepaula@gmail.com
Grátis: o segredo do digital
Grátis: o segredo do digital - 26/01/2016
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O segredo do digital é simples: nem tudo o que dá, dá.

Pronto. Nem precisa agradecer, foi um prazer. Feliz ano novo, aliás. Agora que você já foi iluminado por essa verdade transformadora, vai lá e transforme o mundo. Estou torcendo.


Como assim? Eu fui sucinto demais? Não dá pra fazer nada com isso? Tá bom, eu destrincho. Será um prazer.


Comecemos do básico: digital é binário, e não estou falando de zeros e uns. Digital é binário porque existe máquina de um lado e gente do outro. Máquinas a gente desenha, especifica, constrói, programa, gerencia, atualiza e gente, well, gente é gente e não adianta reclamar pro fabricante, ninguém responde.

Colocando em outros termos: máquinas e códigos são complicados, gente é algo complexo. Coisas complicadas, se você for CDF e estudar bastante vai entender como funciona e dá pra prever bastante bem o que vai rolar. Um câmbio hidramático é complicado pra caramba mas é, no fim, um câmbio: faz x, y mas z ele não faz nem a pau.

Tente você prever, por outro lado, o que coisas complexas vão fazer. Taí um bom negócio, inclusive: posar de vidente da complexidade. Astrólogos, cartomantes, quiromantes fazem uma grana com isso. Eu ainda acho que boa parte da aura do Big Data é o sonho de ler o futuro na borra do café, digo, do digital.

Mas voltemos ao tal do segredo. Pensemos primeiro no que dá.

Dá pra fazer tanta coisa com digital, taaannnnta coisa. Dá pra fazer uma cueca conectada à internet com sensores que avisam via twitter que fulano borrou as calças, dá pra construir um mecanismo de busca que mostre todos os nudes que as pessoas estão trocando em tempo real, dá pra fazer uma app que pague as tuas contas com cartões de crédito de velhinhos desavisados, dá pra fazer um drone que paralise marcapassos de pessoas num raio de cem metros, dá pra traduzir o que a Dilma fala em tempo real (ops? parece que isso ainda não dá).

Dá pra fazer muita coisa com digital, mas taí o Google Glass pra mostrar que tem coisa que não dá, não dá não por causa do digital que tudo permite, mas porque pessoas (pelo menos algumas e pelo menos por enquanto) ainda espanam. O Google pode ser f**a quando o assunto é tecnologia, mas quando o assunto é gente, o Google dá tela azul. Lembram do google+? Então: esqueçam.

Todo dia alguém anuncia algum gadget bizarro, alguma startup surreal, alguma feature insana que um desenvolvedor talentoso e endinheirado conseguiu bolar porque, well, dava pra fazer. A mídia vai lá, bate palmas, os bobos alegres que vivem do culto a tech batem palmas, alguns investidores com dinheiro infinito batem palmas e pumba, a tal inovação bate de cara no chão. Como faz o emoji pra facepalm mesmo?

Eu sei, eu sei, desenvolvedores e geeks entendem mais de complicações do que de complexidades, mas enquanto a moçada continuar acreditando que tech existe no vácuo vamos continuar alimentando esse ciclo furado de hype, grana jogada fora, tempo jogado fora e problemas concretos que ninguém dá bola porque são, well, complexos.

2016 vai ser um ano complexo, não tornemos isso ainda mais complicado. Deixe de ser deslumbrado e comece a pensar no que você pode fazer de concreto pra esse ano ser realmente novo. Temos ainda uns 340 dias pra isso. 2017 agradece.

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