]]>
E-mail
Senha
Manter conectado
Doutor em Ciências Políticas pela Universidade de São Paulo (USP), com foco no estudo de comportamento eleitoral e campanhas eleitorais. Também é professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) e sócio da APPC, consultoria de opinião pública. Tem diversos artigos e capítulos publicados em livros da área.
Quem "bate" nem sempre perde
O cientista político Jairo Pimentel lança livro sobre os efeitos de spots de TV negativos em campanhas políticas no - 14/12/2015
Compartilhe no Facebook!Compartilhe no Facebook!

Os ataques a candidatos adversários em campanhas políticas pode ser uma estratégia de marketing positiva na disputa eleitoral. É o que afirma o cientista político Jairo Pimentel Júnior, que lança no dia 15 de dezembro, às 18h, no Canto Madalena (Rua Medeiros de Albuquerque 471, Vila Madalena), em São Paulo, o livro Quem bate perde? (Editora Autografia), resultado de um estudo sobre os impactos de spots de TV negativos no processo de decisão do voto do eleitorado.



A máxima sustentada pelo marqueteiro Duda Mendonça de que os impactos de campanhas negativas prejudicariam a imagem do candidato autor dos ataques, o chamado "efeito bumerangue", prevaleceu por muitos anos, mas tem perdido força. O estudo desenvolvido como tese de doutorado de Pimentel e premiado pelo 4º Congresso Internacional de Comunicação Política e Estratégias de Campanha, realizado em setembro deste ano, em Belo Horizonte, contradiz esta crença e mostra que campanhas negativas podem, sim, ser vitoriosas.

Os embates em campanhas eleitorais sempre existiram. No entanto, segundo Pimentel, essa forma de comunicação utilizada para atingir negativamente a imagem do adversário, ainda é usada com muito receio. "Um spot que possui um conteúdo sabidamente mentiroso ou que seja exagerado em seu ataque pode ser considerado antiético e, dessa forma, seu efeito voltar contra quem o utilizou. Mas, de forma geral, como minha pesquisa demonstrou, os spots negativos e as mensagens de ataque são aceitos pelos eleitores que, apesar de não gostarem do tom, assimilam as informações transmitidas. Isso diminui a vontade dos eleitores votarem no candidato atacado".

A pesquisa analisou as campanhas presidenciais de 2010 dos candidatos Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB). Todos os spots veiculados em horário eleitoral por ambos os candidatos foram categorizados como positivos, negativos, comparativos ou neutros. "Foi percebido que, no primeiro turno, o candidato Serra teve maior número de spots que depreciavam a candidatura da adversária. No entanto, no segundo turno, houve uma clara mudança de estratégia da campanha de Dilma ao dar maior ênfase à campanha negativa contra o adversário. O que a ajudou a vencer as eleições".

Segundo Pimentel, como aconteceu nas eleições presidenciais de 2010, o potencial eleitoral dos spots negativos é maior em eleições polarizadas ou no segundo turno. "Em uma disputa polarizada, quando um candidato perde o voto, o outro ganha. E quanto mais acirrada, mais intensos são os ataques. Em nosso trabalho, demonstramos que os spots negativos foram eficientes em tirar votos do adversário".

A partir do modelo de inteligência afetiva, baseado em neurociência, também foram coletadas percepções de 1.780 eleitores de cinco capitais brasileiras - Belo Horizonte, Porto Alegre, São Paulo, Recife e Rio de Janeiro -, durante o primeiro e segundo turnos das eleições de 2010. O processo de decisão de voto, explica, é guiado por dois tipos de sistemas afetivos: o entusiasmo e a ansiedade. "As campanhas positivas geraram um sentimento de entusiasmo e positividade no eleitor. No entanto, as campanhas negativas causaram um grau elevado de ansiedade e, consequentemente, maior dúvida e reflexão, aumentando as chances de mudança nas intenções de voto e aumento do índice de rejeição do candidato atacado".

A pesquisa faz um recorte inédito nos spots de TV - peça publicitária curta e objetiva (de 30 a 60 segundos) -, formato, segundo Pimentel, ainda recente no Brasil e pouco estudado até então. "A partir de 1996 as campanhas políticas brasileiras começaram a usar esta forma de comunicação, que tem um grande efeito persuasivo, porque pegam o espectador de surpresa durante a programação".

O pesquisador Antônio de Pádua Prado, sócio-diretor da APPC, consultoria de opinião pública, assina a orelha do livro: "O estudo de Jairo Pimentel esmiúça a força e a importância dos spots que criticam o adversário. Um trabalho inédito e um tema instigante. Realizado com seriedade intelectual e tirocínio".

Compartilhe no Facebook!Compartilhe no Facebook!

Comentário(s)