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É profissional de internet desde 1996 e passou pelas maiores agências e empresas do país: Wunderman, AlmapBBDO, AgênciaClick, Banco Real ABN AMRO, Microsoft Brasil. É criador da \"Usina.com\", portal focado no mundo online, e do \"Radinho de pilha\" (www.radinhodepilha.com), comunidade de profissionais da área. E-mail: renedepaula@gmail.com
O que a internet não me ensinou
O que a internet não me ensinou - 23/05/2016
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Creio que foi numa Campus Party, nem sei mais qual. Que eu me lembre era um espaço da Vivo onde a rapaziada podia assistir a debates, e a Bia Granja me convidou pra participar de um painel com o Gil Giardelli sobre... não me lembro mais. Eu cheguei a publicar esse vídeo no meu site www.usina.com mas parece que a Vivo tirou tudo do ar e nunca mais o achei.

Não me lembro sobre o que debatemos, eu tendo a me esquecer das coisas que falo de improviso, e como sempre falo de improviso, a consequência é que nunca me lembro de nada, mas eu me recordo muito bem de uma mocinha que, ao final, perguntou pra nós dois onde ela deveria estudar.

O Gil, se não me engano, recomendou que ela procurasse bons cursos online, afinal o que não falta por aí são aulas grátis de escolas boas. Eu olhei aquela moça tão nova, aquela plateia tão nova e, num impulso, me intrometi. Sei lá se a mocinha se assustou (essa geração não reage bem a interações mais frontais, me parece), mas falei de coração (ok, eu sempre falo de coração): esqueça a internet, escolha uma boa escola de verdade; só numa escola você vai virar gente grande, vai se sentir insegura, vai repensar tuas escolhas, vai ter que aprender a se organizar, a se impor, vai sofrer com professores duros, vai ser criticada, vai ser corrigida, vai se apaixonar, vai se decepcionar, vai ter que aprender a colaborar e a ceder, vai descobrir que não é especial mas que sim, tem talentos únicos, vai amadurecer no tranco pra se tornar uma cidadã melhor.

(Não sei se falei tudo isso, mas o espírito era esse, e se ela não ouviu isso que você ouça, então).
(Não sei, aliás, se ela ouviu tudo o que eu falei, talvez ela tenha travado, talvez eu tenha sido excessivo, mas que você não trave também, please.)


Claro que a internet me ensina muito. Pra um CDF cabeção como eu, perpetuamente faminto de conhecimento e cultura, a internet é a minha tábua de salvação, é o que me salva da angústia de não saber ainda tudo o que eu gostaria de ter aprendido antes.

A lição mais indigesta que a internet me ensinou é que, na verdade, a internet deseduca. Eu posso escrever um artigo de improviso, sem maiores cuidados, e publicá-lo feliz da vida sem que um editor, um professor, um chefe venha me dizer que o texto está cru, mal-acabado, que a ideia se perde, que eu chovi no molhado, que ninguém se interessa pelas minhas memórias, sonhos ou reflexões (ou por citações pedantes como essa a um livro do Carl Jung). Não, ninguém vai me confrontar com a minha própria superficialidade, com o meu desleixo. Vou publicar meu artigo, meus vídeos, minhas palestras, meus podcasts sem ninguém nunca fazer um contraponto a tempo, sem ninguém me forçar a ir além de mim mesmo, sem ter que provar ao que eu vim. Graças à internet sou um moleque mimado, todos somos.

O dia em que os computadores finalmente se tornarem inteligentes talvez eles me digam "rené, este artigo é pueril" ou "rené, essa selfie ficou patética" ou "rené, você não deveria responder a este email agora nem desta maneira". Meu sonho é que um dia meu celular me diga "try again, try harder".
Eu estou merecendo, e a julgar pela timeline do facebook, todos estamos.

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