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É profissional de internet desde 1996 e passou pelas maiores agências e empresas do país: Wunderman, AlmapBBDO, AgênciaClick, Banco Real ABN AMRO, Microsoft Brasil. É criador da \"Usina.com\", portal focado no mundo online, e do \"Radinho de pilha\" (www.radinhodepilha.com), comunidade de profissionais da área. E-mail: renedepaula@gmail.com
Em busca do futuro perdido
Quem você segue no twitter? - 21/08/2015
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Quem você segue no twitter? Eu sigo pouquíssimas contas, e uma delas é a da @BBC_Future.

Eu gosto das coisas da BBC, gosto mesmo. Apresentadores ingleses parecem ser hoje mais humanos e íntegros e empáticos do que os super-homens americanos ou, quem diria, nós mesmos, nós que nos achávamos o povo mais autêntico do mundo.


Pois bem, não somos. A gente parece sincero, parece simpático, parece amoroso, mas isso é pra inglês ver, se é que eles ainda caem na nossa pantomima.

Voltando à história do twitter: ontem a @BBC_Future retwittou uma podcaster americana, a @roseveleth, apresentadora do programa Meanwhile Future. A moça perguntava pra todo mundo: quem você acha que já vive no futuro hoje?

Bacana a pergunta. O que você responderia? Pense aí.

Well, eu respondi bate-pronto com outra pergunta: e se o tal futuro for o favelão de Mumbai? E se o futuro for o auto-proclamado (e medonho) Estado Islâmico? Na conversa que se seguiu eu expliquei pra gringa que eu moro em São Paulo, onde a distância entre a utopia e a distopia dá umas três quadras.

Eu tinha te sugerido pensar no futuro. Você pensou em algo reluzente, tipo Dubai? Algo plácido e humano como, sei lá, Kopenhagen? Pensou em iPhone 12, Android 9, Tinder telepático? Se isso fosse um trabalho pra escola, onde você procuraria por referências? Google, Facebook, Instagram...? Procuraria no youtube por uma palestra de algum futurólogo ou guru digital? Eu conheço vários, ganham uma boa grana.

Encontrei no youtube, tempos atrás, as palestras da Royal Society of Arts, maravilhosas. Adivinhe de onde? Inglaterra, de novo. As palestras da RSA são mais legais que as do TED: ao invés de ter um palestrante charmoso, carismático e emocionante que faz um show e sai correndo, no RSA um apresentador introduz o convidado (normalmente alguém super capacitado, não só um showman), deixa o cara falar por meia hora, sabatina o cara na sequência e abre espaço pra plateia perguntar (e as perguntas são duras). Eu acho genial, muito mais honesto e aberto.

Numa dessas palestras apareceu um tipinho californiano pra falar sobre o futuro da Educação. Com muito charme e verve ele detonou a Educação atual e encantou a todos com a Educação do futuro, onde tudo seria personalizado, otimizado, tecnológico, perfeito.

Se fosse um TED, o show pararia por aí e você daria like no ato. Como era o RSA, o mediador perguntou na bucha: o senhor mostrou de maneira maravilhosa o A e o Z da questão, ou seja, como hoje estamos errados e no futuro estaremos certos; a pergunta é: qual o passo B e qual o passo Y, ou seja, como saímos de onde estamos e chegamos lá?

Adorei. Pra minha alegria, o futurólogo da ensolarada Califórnia engasgou. Ele não sabia nem por onde começar, muito menos por onde nós todos deveríamos começar. Ele era apenas um vendedor de sonhos, como tantos outros.

Eu te pergunto: já que você acha que tanta coisa no mundo está errada e que você vive se encantando com esses sonhos à la TED, o que você faria se tivesse que criar esse futuro agora? O quanto você conhece do teu presente, do teu entorno, da tua sociedade pra dar o primeiro passo? Não vale dar uma de Haddad e sair pintando faixa sem perguntar pra ninguém, o mundo não é uma lean startup onde você pode apelar pro break things fast.

E aí, por onde você começa?

Dica: procure no google. Se você for procurar no facebook vai acabar se perdendo entre fotos de bebês babões publicadas por pais babões, e se babação pública obrigatória for o futuro, eu estou fora.

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