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Uma África pouco conhecida
Afripedia quer reduzir o desconhecimento entre as várias cenas artísticas do continente
Por Tiago Bosco em 21/11/2016
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Uma plataforma visual que está ainda em fase de lançamento, mas que quer mostrar ao mundo os mais estimulantes criadores africanos contemporâneos, rompendo com as imagens estereotipadas do continente e da arte africana. Trata-se da Afripedia (www.afripedia.com), desenvolvida por Teddy Goitom, produtor com raízes na Etiópia e na Eritreia, nascido em Jerusalém, educado na Suécia e produtor na agência Stocktown (http://stocktown.com).

"O objetivo da plataforma não é apenas o de dar visibilidade no circuito internacional a artistas africanos pouco conhecidos, mas também o de reduzir o grande desconhecimento mútuo que persiste entre as várias cenas artísticas do continente", explica Teddy Goitom.

Até o momento cinco filmes foram criados - os trailers estão já disponíveis na Afripedia -, que os levaram a Gana, onde encontraram os bidões de plástico de Serge Attukwei Clottey, ao Senegal onde Omar Victor Diop quer reinventar a fotografia de estúdio, à África do Sul da dupla de músicos e produtores Gazelle e ao Quénia de Cyrus Kabiru. E também a Angola, onde filmaram Titica, a estrela transsexual do kuduro, o produtor e músico MC Sacerdote, e o polivalente Nástio Mosquito, cuja obra associa performance e poesia, cinema e música, instalações e arte digital.

Goitom assume que um dos objetivos principais da Afripedia é funcionar como ponto de encontro de artistas africanos, quer vivam no continente, quer façam parte da vasta diáspora africana.
"Quando estivemos em Gana, mostramos o que tínhamos filmado na África do Sul e os criadores ganeses só nos perguntavam: "Quem são estes artistas, como é que podemos contactar com eles?"", conta. "Isto não é só para mostrar a arte africana ao mundo ocidental", acrescenta, "é para os artistas africanos verem que há gente que está a fazer coisas semelhantes e que eles não conhecem, para se encontrarem e colaborarem".

De resto, o próprio conceito de arte africana lhe parece equívoco, no sentido em que uniformiza uma realidade altamente diversificada. "É um rótulo usado por quem organiza exposições, mas acho que muitos artistas não gostam de ser rotulados como artistas africanos ou ver a sua identificada como arte africana", diz. E foi por isso mesmo que optou por dedicar um documentário autônomo a cada país, embora não deixe de observar que "quanto maior for a visibilidade destes artistas, mais fácil é sermos específicos".

Outro assumido propósito da Afripedia é vir a funcionar como uma agência de emprego informal. "Gostaríamos que estes artistas pudessem ser contratados através da plataforma, porque se queremos quebrar os estereótipos, também é preciso trazer estas pessoas para as indústrias criativas, onde podem ajudar a romper com o preconceito", explica Teddy Goitom.











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