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É profissional de internet desde 1996 e passou pelas maiores agências e empresas do país: Wunderman, AlmapBBDO, AgênciaClick, Banco Real ABN AMRO, Microsoft Brasil. É criador da \"Usina.com\", portal focado no mundo online, e do \"Radinho de pilha\" (www.radinhodepilha.com), comunidade de profissionais da área. E-mail: renedepaula@gmail.com
Como não fazer sucesso em digital
Mensagens nas garrafas - 23/02/2016
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Meu consolo é imaginar que sou póstumo. Se não rolar nem se preocupem com a minha reação, vou estar mortinho mesmo e tão enterrado quanto qualquer artigo ou conteúdo que publiquei a vida toda, legado soterrado por toneladas e toneladas e camadas e mais camadas de zeros e uns alheios, todos nós sendo cobertos por um toró contínuo de fotos de comida e crianças muito amadas.

Essa é uma questão de gravidade, não tanto porque seja grave, mas porque gravidade é aquela força fraquinha mas incansável que faz com que poeira se junte em pedrinhas, pedregulhos em asteroides e planetas e que gás vire estrelas que viram, finalmente (e bota final nisso), buracos negros, e da gravidade de um buraco negro nada escapa.

Ok, na web tem o google, e o google está sempre escavando as ruínas arqueológicas da web e não tem múmia que se esconda. O problema é achar o tesouro perdido abaixo de uma montanha de coisas descartáveis com SEO melhor do que o seu. Quando lá atrás falávamos em navegar na web estávamos acertando sem querer: não passamos da superfície e da espuma, flutuando sobre águas profundas e escuras. Somos surfistas, e ondas não faltam.

Pense em todas as palestras que você andou assistindo, pense nos artigos, nos livros, nos vídeos e eventos: tirando algumas exceções louváveis que confirmam a regra, são ondas grandes daquelas de hotel em Vegas, geradas numa piscina fabulosa por motores escondidos. Quando alguém com o microfone na mão fala que a "tendência" é X (big data, content marketing, geração alfabeto ou analfabeta, social media...) o que rola ali são ondas criadas de propósito pra agitar a calmaria do mercado.

Qual foi a última onda que você tentou surfar e deu vaca? Social? Wearables? Agora, talvez, VR...? É difícil resistir, as ondas arrastam todo mundo e quando você vai ver a onda passou e você ficou boiando onde não dá mais pé.

Pra quem vive de fazer onda a vida é bela, tá cheio de empresa doida pra financiar "influenciadores", assim como está cheio de gente insegura em busca de alguém que aponte um caminho seguro. É só pensar de novo em tudo o que você já assistiu: que porcentagem do conteúdo não era autopromoção ou alta promoção de alguma coisa? Eu mesmo já tive esse papel de encantar plateias acenando com um futuro lindo.

Viver de ondas é possível. É só você aprender meio por cima o que está vendendo bastante, ter cara de pau pra posar de guru e surfar alegremente até que venha a próxima onda. Conheço gente que consegue viver dessa espuma há anos, e isso requer muito empenho e alguns talentos raros.

Muito mais fácil é não fazer sucesso em digital. Basta você não ser surfista, basta você não se pautar pelas ondas artificiais e tentar ser independente, transparente e íntegro e criar suas próprias marolas. É bem provável que você termine numa ilha deserta, claro, lançando mensagens em garrafas na esperança de que alguém as leia. É o que eu faço, faz tempo, mas eu gosto de pensar que sou póstumo. E por favor não me desminta.

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